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Projeto CSA 2015

 

Tecendo a solidariedade e construindo a liberdade.

             O projeto educativo proposto para o ano letivo de 2015 no Colégio Santo Antônio nos convida a voltarmos toda a nossa atenção para a Solidariedade e as suas práticas,  como meios concretos para se construir  a autonomia  e tem como fonte de inspiração a campanha da fraternidade deste mesmo ano, cujo tema é:  “Fraternidade: Igreja e Sociedade”  e lema: “Eu vim para servir”.

          Diante do tema e do lema da CF 2015,  sugiro algumas reflexões que possivelmente poderão nortear as nossas ações no que diz respeito à efetivação de um projeto coletivo.

A  primeira reflexão que gostaria de fazer é quanto ao tema: “Fraternidade: Igreja e Sociedade”.

        Dado o seu significado, a palavra Fraternidade é algo que me chamou a atenção.

De acordo com o dicionário Aurélio, Fraternidade significa “parentesco de irmãos, amor ao próximo, harmonia e concórdia”. Por conta da complexidade reflexiva no âmbito escolar nas óticas  da psicologia, da  filosofia  e da teologia sobre os seus muitos significados eu preferi refletir em outra palavra, que a meu ver, é consequência direta da fraternidade: a solidariedade.

         Novamente tendo o Aurélio como fonte de pesquisa, solidariedade significa “sentido moral que vincula o indivíduo a uma causa, às necessidades ou carências de outro indivíduo, de um grupo social”.

        Dentre outras coisas, a educação formal deve favorecer a vivência de um conjunto de valores  que seja capaz de colaborar para com a construção de um sujeito  ético e moral e que seja capaz de atuar positivamente no meio em que vive.

Assim sendo, o primeiro passo para a prática da solidariedade consiste em implantar no sujeito  um desejo contínuo e recorrente de praticar os valores apreendidos durante a sua  vida escolar.

      Os diferentes contextos individuais e sociais, com suas “necessidades e carências” que lhes são peculiares, deverão sensibilizar e indignar o sujeito e levá-lo a mobilizar valores e conhecimentos previamente construídos a fim de desenvolver ações e práticas capazes de favorecer o outro (ou os outros).

       Para se obter resultados satisfatórios, tais ações e práticas não deverão ocorrer de modo impulsivo e esporádico. Pelo contrário, é necessário que se elabore um plano de ação no qual estejam delineadas etapas sucessivas de sua ocorrência, a avaliação dos resultados e a perspectiva de continuidade.   

       A efetivação do plano de ação permite  a construção de vínculos entre os diferentes sujeitos envolvidos na ação solidária.

A construção deste tipo de vínculo permite o contato com as diferentes realidades psíquicas, religiosas, sociais e econômicas o que certamente irá favorecer a construção/desconstrução  de valores e paradigmas de modo paulatino e dinâmico.

    A construção inicial do sujeito no que se refere à aquisição de valores e comportamentos positivos, a mobilização destes mesmos recursos diante de situações que inspirem sentimentos altruístas, o estabelecimento de vínculos confiantes, o contato dinâmico e conflitivo com as diferentes realidades e a  consequente aquisição de novos valores e atitudes constituem os elementos  imprescindíveis a trajetória percorrida por uma  ação solidária integrante de um plano de ação devidamente fundamentado.

      A segunda reflexão que gostaria de fazer a respeito do tema da CF 2015 é sobre o papel da Igreja na sociedade.

     Gostaria de me referir à Igreja enquanto corpo místico de Cristo e não como uma instituição religiosa. Porém, neste primeiro momento, a minha referência será a de instituição religiosa em virtude das palavras e atitudes não muito protocolares de seu maior líder: o papa Francisco.

    Anterior ao Concílio Vaticano II, tínhamos uma Igreja centralizadora e fechada em suas próprias estruturas e portadora de uma grande dificuldade de diálogo para com as outras denominações

religiosas e para com os  diferentes setores da sociedade.

        Felizmente, a mensagem e os esforços do Concílio Vaticano II abriu as portas da Igreja ao diálogo ecumênico e a uma maior atuação na sociedade.

Apesar de toda a novidade pós conciliar, corremos o risco de assumir atitudes do passado e a  fecharmos em nós mesmos.    

   Diante deste risco permanente, o papa Francisco faz um alerta: “Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro”; e ainda: “Mais do que temor  de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção”.

   Ao fazer memória do desastre que levou à morte várias pessoas, em Lampedusa, o papa Francisco disse: “quando não estamos atentos ao mundo em que vivemos ficamos desorientados, envolvidos pela cultura do bem-estar que leva à “globalização da indiferença”: habituamo-nos ao sofrimento do outro, não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa” (homilia do dia 08 de julho de 2013).

  Logo após ter sido eleito papa, desabafa:  “Como eu gostaria de uma Igreja pobre para os pobres”.

   De acordo com as suas atitudes e declarações, Francisco revela ter sido um  homem que conheceu de perto as misérias humanas, foi ao encontro delas e  vivenciou ativamente e por muito tempo a prática de um plano de ação solidária, pelo qual permitiu desconstruir/construir muitos de seus paradigmas. 

  A formação acadêmica, a sua origem latino americana e, sobretudo, o contato direto e prolongado com os pobres e  marginalizados da Argentina  associados à sua coerência de vida, permitiram a Francisco, enquanto papa,  pronunciar palavras capazes de nos incomodar e impulsionar a assumirmos compromissos solidários mais sérios e duradouros.

Ao mesmo tempo, Francisco abre espaço para o estabelecimento de parcerias para as práticas sociais solidárias. Não devemos, segundo ele, nos posicionar como  centro e nem nos fecharmos em nossas próprias estruturas.

  Logo, o fato de se poder construir uma rede de solidariedade é perfeitamente possível.

  Caberá aos homens de boa vontade, pertencentes a diferentes denominações religiosas e ONGs se unirem para traçar planos de ação solidária em proporções maiores e mais abrangentes, caso estivessem isolados em suas respectivas instituições.

Odair Cesar Teixeira

 

  

 

Lido 1364 vezes Última modificação em Quarta, 23 Setembro 2015 12:31