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Espiritualidade Angioniana

O ROSTO TERNO E AMIGO DE MONSENHOR ÂNGELO ANGIONI

“Dai-me almas e ficai com o resto.”

(D. Bosco)

Professor, intelectual, poliglota, tradutor, intérprete, escritor, poeta, músico, empreendedor de sucesso, pacifista, pai, conselheiro espiritual e místico. Essas são algumas das muitas características de Mons. Ângelo Angioni, uma personalidade única que optou em gastar a sua vida em missão em José Bonifácio, uma pequena cidade do interior paulista.

Figura autêntica e cheia de sentido. Bastava fazer-se presente e, mesmo não dizendo uma só palavra, conseguia transmitir o seu recado.

Revelava-se no silêncio como uma pessoa cheia de bondade, serenidade, firmeza tolerante e de um grande amor à Nossa Senhora, à juventude, às famílias e às vocações sacerdotais e religiosas – suas pérolas preciosas.

Conseguia reunir e resumir em poucas palavras toda a sua sabedoria e espiritualidade. Quem não se lembraria de seus conselhos? Daquele jeito sereno com que acolhia e encorajava a todos os que o procuravam? Não recusava um só atendimento. “É preciso salvar almas para Nosso Senhor”, dizia.

Essencialmente contemplativo e comunitário.

Fazia-se presente em meio ao seu povo, ouvia e atendia aos seus apelos, dando respostas significativas às necessidades de seu tempo, sem deixar-se levar, no entanto, pelo ativismo.

Reservava tempo para a prática da oração pessoal.

Depois de celebrar cada uma de suas missas, por exemplo, com o terço nas mãos (companheiro

inseparável), ajoelhava-se diante do Santíssimo Sacramento e lá passava de dez a quinze minutos a contemplar o Cristo Eucarístico.

Por alguns anos, quando menino, pensava que Mons. Ângelo aproveitava aqueles momentos para rezar pelo seu rebanho de José Bonifácio e me sentia incluído em suas orações.

Depois de crescer um pouco, imaginava que ele agradecia ao Sumo Sacerdote Jesus por mais uma oportunidade de poder renovar em seu altar o mistério da transubstanciação .

Na realidade, ninguém sabia ao certo o teor das orações de Mons. Ângelo diante do Santíssimo Sacramento, mas todos sabiam onde encontrá-lo depois de cada missa.

Equilibrou como ninguém o binômio fé e vida.

Sem deixar de refletir a luz da contemplação, sabia o momento certo de descer do Monte Siné ai e colocar-se junto ao seu povo que padecia no deserto de suas dificuldades espirituais e materiais.

Dotado de uma visão empreendedora e futurista, além de organizar as atividades pastorais de sua paróquia, Mons. Ângelo construiu igrejas e casas religiosas, fundou escolas profissionalizantes, duas carpintarias, uma tipografia onde se imprimia os livros que traduzia, os seus próprios opúsculos e o jornal da cidade, uma livraria, uma escola paroquial de educação básica destinada à educação integral das crianças (Colégio Coração Imaculado de Maria – CCIM), um auditório de cinema e teatro e a sua obra máxima, o Instituto Missionário Coração Imaculado de Maria – um complexo de vida religiosa destinado a atender as necessidades da diocese que o sediava.

Em linhas gerais, esse era o perfil de Mons. Ângelo Angioni: sacerdote conservador que ainda usava batina e de fala serena e tranquila, mas que impressionava a todos que o ouvia pela sua cultura e sensatez. Quando homenageado, agradecia gentilmente e com grande humildade, sem deixar-se levar por essas formas de dispersão (procurava esquivar-se dessas situações o mais rápido possível)

Homem de profunda vida de oração, visão e práticas empreendedoras. Sempre preocupado com o futuro da juventude, tornou-se um educador por excelência e, talvez por isso, fiel seguidor da pedagogia do Sistema Preventivo de S. João Bosco (quem não se lembra dos “Boa-Noites”, dos jogos e brincadeiras durante o recreio no pátio do Seminário Menor – também fundado por ele -, do futebol na quadra, das apresentações de teatro, da integração do espaço dividido entre a escola, o seminário, a casa paroquial, a Sala de Emaús, os dois conventos – havia outros dois localizados fora desse espaço – e da presença amiga e educadora de monsenhor em todos esses cantos, sempre a repetir à semelhança de D. Bosco, “se não forem padres (referindo-se aos seminaristas), que sejam ‘bons cristãos e honestos cidadãos’”).

Enfim, Monsenhor Ângelo Angioni foi um santo para cada um de nós que, sem deixar de lado a sua individualidade e piedade intimista, soube abrir-se para o mundo, fixando com olhos atentos os problemas humanos e apontando com ternura os caminhos que conduziam à promoção integral de seu rebanho e a salvação de suas almas.

Prof. Odair Cesar Teixeira 

 

Lido 9407 vezes Última modificação em Segunda, 20 Março 2017 17:17